ÔNIBUS EM GUAPIMIRIM: O CONTRASTE DA SERRA COM TARIFA CARA E SERVIÇO PRECÁRIO

Enquanto o passageiro de Teresópolis experimenta o maior ciclo de renovação tecnológica das últimas décadas, o morador de Guapimirim, que depende do transporte público pago, vive o amargo cotidiano do sucateamento. A diferença não é apenas financeira, mas de dignidade.

Teresópolis consolidou um modelo de parcerias que gerou resultados práticos em 2025 e 2026, nesse período, foram integrados 32 novos ônibus, com investimento privado superior a R$ 16 milhões. O município conta com 87 linhas cobrindo uma vasta malha quilométrica, com a idade média da frota reduzida para 5 anos e acessibilidade total nas viagens operadas pelas empresas do município. Se o transporte gratuito em Guapimirim é a "vitrine" da prefeitura, o sistema pago, operado pela Viação Paraíso Verde, é o retrato do abandono. Quem paga tarifa no município enfrenta um sistema que parece operar fora do tempo. Diferente de Teresópolis, as linhas pagas de Guapimirim operam com veículos que beiram ou ultrapassam o limite de 10 anos de uso. Não há registros de novos veículos zero quilômetro para as linhas tarifadas nos últimos dois anos. Enquanto Teresópolis opera 87 linhas, o sistema pago de Guapimirim sobrevive com apenas cerca de 8 rotas, muitas vezes com intervalos irregulares e extensões quilométricas que deixam bairros periféricos isolados ou dependentes de transbordos.

Acessibilidade Ignorada: No sistema tarifado local, a acessibilidade é precária. Relatos e vistorias indicam que o passageiro com deficiência raramente encontra elevadores funcionando nos ônibus antigos que cobram passagem. Enquanto Teresópolis disponibiliza dados sobre quilometragem e viagens em tempo real, em Guapimirim o sistema pago opera em uma "caixa preta", sem relatórios claros de cumprimento de horários ou multas por má prestação de serviço nas linhas tradicionais.

O contraste é gritante: Teresópolis avançou para um sistema de transporte que respeita o tempo e o dinheiro do contribuinte. Já em Guapimirim, o foco político no transporte gratuito parece ter servido de desculpa para que as linhas pagas fossem entregues ao descaso total, forçando o cidadão a pagar por um serviço de baixíssima qualidade em veículos obsoletos.