O DESAFIO DA SEGURANÇA PARA PEDESTRES EM TERESÓPOLIS

 Embora os dados consolidados de 2025 tenham apontado uma leve redução no número total de colisões de veículos nas avenidas Feliciano Sodré e Lúcio Meira em comparação a anos anteriores, a gravidade dos atropelamentos na pista principal da Várzea continua sendo o "calcanhar de Aquiles" da mobilidade urbana no município.


Ao longo do último ano, a "Reta" reafirmou sua posição como o trecho urbano com maior densidade de acidentes. De acordo com boletins do Corpo de Bombeiros (16º GBM), a Várzea liderou o ranking de chamados na zona urbana, com mais de 80 casos relevantes registrados apenas no eixo central. O perfil dos atropelamentos em 2025 revelou um padrão preocupante: Enquanto os atropelamentos diurnos estão ligados à pressa e desatenção, os casos noturnos em 2025 foram marcados pelo abuso de velocidade, facilitado pela pista livre. Outro dado que saltou aos olhos nas notícias de 2025 foi que 4 em cada 5 acidentes de trânsito em Teresópolis envolveram motocicletas. No caso dos atropelamentos, os entregadores e motociclistas em alta velocidade no corredor entre os carros foram responsáveis por uma parcela significativa das ocorrências com pedestres na Reta.

A "Reta" sempre foi o coração econômico da cidade, mas também o seu ponto mais perigoso. Entre 2024 e 2025, a combinação de alta velocidade nos horários de pouco movimento e a travessia imprudente de pedestres gerou estatísticas alarmantes. A resposta da Prefeitura veio através de uma estratégia de duas frentes: fiscalização eletrônica e barreiras físicas de canalização. Uma das mudanças mais visíveis na paisagem urbana foi a instalação de grades metálicas e guarda-corpos ao longo do canteiro central da Feliciano Sodré, especialmente nos trechos próximos à Calçada da Fama e às agências bancárias. O Objetivo é eliminar a travessia irregular. Antes da medida, era comum pedestres cruzarem as três faixas de rolamento em pontos cegos ou entre ônibus parados, ignorando as faixas de segurança situadas a poucos metros.


As grades funcionam como um guia de fluxo, forçando o pedestre a caminhar até o semáforo ou faixa sinalizada. Segundo a Secretaria de Segurança e Ordem Pública, nos trechos onde o gradeamento foi concluído no segundo semestre de 2025, a incidência de atropelamentos caiu drasticamente, uma vez que o motorista agora tem a previsibilidade de onde o pedestre irá surgir. Para 2026, a implantação dos sistemas de radares reduzem a energia de impacto em caso de colisão. Estudos mostram que um atropelamento a 40 km/h oferece ao pedestre uma chance de sobrevivência de 85%, enquanto a 60 km/h (velocidade comum na Reta antes dos radares), o risco de morte sobe para 90%. 

Um desafio que as grades não resolvem sozinhas é o comportamento dos motociclistas. Em 2025, o "corredor" entre os carros tornou-se o local de maior risco para quem inicia a travessia na faixa. Com a instalação dos radares com tecnologia OCR, as autoridades agora conseguem identificar motos que trafegam acima do limite ou que avançam o sinal enquanto os pedestres ainda estão na pista. O sistema OCR (leitura de placas) está ativo 24h. Veículos com documentação irregular ou restrição de roubo/furto são detectados instantaneamente e um alerta é enviado à central da Guarda Civil e Polícia Militar.

 O retorno dos radares é uma resposta direta ao Plano de Mobilidade Urbana de Teresópolis, que busca reduzir em 30% o índice de atropelamentos no centro até o final de 2026. Além disso, a presença dos equipamentos inibe o uso das avenidas centrais para "rachas" durante a madrugada, queixa frequente dos moradores do Alto e da Várzea.

Limites e Penalidades (CTB 2026)

As infrações por excesso de velocidade na zona urbana de Teresópolis seguem o Código de Trânsito Brasileiro:

•Até 20% acima do limite (ex: passar a 48 km/h onde o limite é 40): Infração média, 4 pontos na CNH e multa de R$ 130,16.

•De 20% a 50% acima do limite: Infração grave, 5 pontos na CNH e multa de R$ 195,23.

•Acima de 50% do limite: Infração gravíssima, suspensão imediata do direito de dirigir e multa multiplicada por três (R$ 880,41).