A mobilidade urbana no Estado do Rio de Janeiro atravessa uma revolução silenciosa, mas visível aos olhos de quem passa pelas roletas. Com a consolidação da biometria facial, o sistema de transporte fluminense — que inclui ônibus, vans, metrô, barcas e trens — alcança um novo patamar de gestão, tornando-se uma referência nacional no combate a fraudes e na preservação dos recursos públicos.
O projeto, realizado através da parceria entre a Secretaria de Estado de Transportes (Setram), o Detro-RJ e a Mais.Mobi, visa garantir que o benefício do Bilhete Único Intermunicipal (BUI) e as gratuidades cheguem a quem realmente tem direito. O funcionamento é prático e rápido: câmeras instaladas acima dos validadores capturam a imagem do rosto do passageiro no momento em que ele aproxima o cartão. Essa foto é cruzada com o banco de dados da Riocard Mais. Se o sistema identificar que o portador do cartão não é o titular, o benefício pode ser suspenso. O Rio tornou-se o primeiro estado do Brasil a implementar 100% da biometria facial na frota de vans legalizadas (527 veículos). Só em 2025, essa medida bloqueou 110 mil cadastros irregulares. Cerca de 70% da frota estadual (aprox. 19 mil ônibus) já opera com a ferramenta, com previsão de cobertura total até o fim de 2026.
O Caso de Teresópolis: Mudança de Comportamento
Em Teresópolis, o impacto da biometria facial é especialmente relevante. A cidade possui um dos maiores índices de gratuidade do estado — cerca de 42% dos embarques não são pagos, quase o dobro da média nacional.
A presença das câmeras nos ônibus das viações Dedo de Deus e 1º de Março provocou uma mudança pedagógica. Ao saber que o uso indevido (como emprestar o cartão de idoso ou estudante para terceiros) é facilmente rastreável, o número de infrações caiu. Aqueles identificados são convocados às lojas da Riocard para conferir as imagens e evitar a perda definitiva do benefício.
"A biometria não é apenas um controle; é uma garantia de sustentabilidade para o sistema. Sem ela, o custo das fraudes acaba sendo repassado para o passageiro pagante ou para o Estado", explica Vanessa Alcântara, coordenadora antifraude da Mais.Mobi.
Além da fiscalização, a biometria facial traz vantagens indiretas: Diferente da biometria digital (dedo), a facial não exige contato físico e é processada em milissegundos, reduzindo filas e o sistema gera um mapeamento preciso de quem usa o transporte e em quais horários, permitindo que o Estado dimensione melhor a oferta de linhas. A integração tecnológica entre os diferentes modais no Rio de Janeiro cria um "cerco inteligente" contra o uso irregular do transporte. Para cidades como Teresópolis, onde a operação de ônibus enfrenta desafios geográficos e financeiros, a biometria surge como uma ferramenta essencial para manter o sistema rodando de forma justa e transparente.
